Corrente de transmissão que fica esticada, começa a pular na roda dentada, faz barulho ou dura pouco raramente é problema só da corrente — é do conjunto corrente + roda dentada (sprocket) + lubrificação + alinhamento. Uma roda dentada com o dente “em gancho” arrasa a corrente nova em poucas horas; uma corrente sem lubrificação alonga e quebra a roda. Este guia prático de manutenção de corrente de transmissão de rolos, baseado no Guia de Manutenção Martin, ajuda o time de manutenção a identificar o problema pela aparência da peça e a corrigir a causa — não só o sintoma.

Vale para transmissões industriais com corrente de rolos ASA/ANSI (passos 40, 50, 60, 80, 100, 120…) e DIN/BS, simples, dupla ou tripla, movidas por rodas dentadas (sprockets), pinhões e coroas com bucha cônica QD e Taper Lock — a configuração mais usada em transportadores, redutores, elevadores, ventiladores, bombas e máquinas de processo.

Não trabalhamos com segunda linha. Correntes Tsubaki e rodas dentadas Martin — e o conhecimento técnico da Mippei para você tirar o máximo delas, em Curitiba e em todo o Brasil.

Está com algum destes sintomas? Vá direto ao ponto:

Regra de ouro: meça o alongamento da corrente e inspecione a roda dentada juntas. Se a corrente esticou mais de 3%, troque-a — e verifique a roda dentada no mesmo serviço. Instalar corrente nova em roda dentada gasta (ou o contrário) é o erro mais caro da manutenção: uma peça velha destrói a nova em poucas horas.

Como saber se a corrente está esticada (alongada)

Toda corrente de rolos se alonga com o uso — os pinos e buchas desgastam por dentro e o passo aumenta. A regra prática do fabricante é direta: se o alongamento passar de 3%, a corrente deve ser substituída. Não adianta “dar um ponto” ou reapertar o tensionador: corrente alongada não assenta mais no fundo do dente, começa a subir e a pular na roda dentada.

Além do alongamento, verifique a tensão (afundamento/catenária) no ramo frouxo. Numa transmissão horizontal, apoiando uma régua sobre as duas rodas dentadas, o afundamento máximo deve ficar entre 2% e 4% da distância entre centros. Corrente frouxa demais bate e pula; apertada demais desgasta pinos, buchas e rolamentos.

Como medir a tensão e o afundamento de uma corrente de transmissão de rolos com régua e escala sobre as rodas dentadas Martin
Como medir a tensão da corrente: régua apoiada sobre as duas rodas dentadas e escala medindo o afundamento. O ideal fica entre 2% e 4% da distância entre centros (fonte: Guia de Manutenção Martin).
Rodagem inicial: revise o comprimento (alongamento) da corrente após as primeiras 1000 horas de trabalho e, depois, periodicamente. É nas primeiras horas que a corrente “assenta” e mais estica.

Lubrificação da corrente: tipos A, B e C

A maioria das trocas prematuras começa por lubrificação errada ou ausente. A corrente seca gera atrito interno, alonga rápido, esquenta e trava. O guia Martin define três tipos de lubrificação conforme a velocidade e a carga da transmissão:

Tipo A

Lubrificação manual / por gotas

Aplique óleo periodicamente com escova ou pincel, ou por gotejamento entre as chapas de união (chapas laterais). Indicado para velocidades mais baixas.

Tipo B

Banho de óleo

A corrente passa por um banho de óleo dentro da proteção (cárter). Mantenha o nível de óleo na altura correta indicada pela proteção.

Tipo C

Fluxo de óleo (bomba)

Uma bomba fornece fluxo contínuo de óleo, que circula dentro da proteção tocando a curvatura da corrente. Para altas velocidades e cargas.

Qual óleo usar na corrente de transmissão? Um óleo mineral limpo de viscosidade adequada à temperatura e à velocidade — nunca graxa (que não penetra entre pino e bucha) nem produtos improvisados. O importante é que o óleo chegue entre as chapas laterais, onde ocorre o desgaste interno que estica a corrente.

11 sinais de falha na corrente (e o que fazer)

A própria corrente “conta” o que está errado. Compare a sua com o quadro abaixo e abra o problema correspondente para ver a causa provável e a prevenção.

Infográfico com 11 sinais de falha em corrente de transmissão de rolos: elos ancorados, pinos virados, furos alongados, chapas fraturadas, rolos deformados e outros
Os 11 padrões de falha mais comuns em corrente de transmissão de rolos (fonte: Guia de Manutenção Martin).
1. Corrente enferrujada

Causa Exposição à umidade; lubrificação inadequada; água no lubrificante.

Prevenção Substitua a corrente e proteja da umidade; restabeleça a lubrificação correta; troque o lubrificante e proteja o sistema da entrada de água.

2. Pinos virados (torcidos)

Causa Lubrificação inadequada — o pino gira e “vira” dentro do elo.

Prevenção Substitua a corrente e implante uma lubrificação adequada.

3. Furos alongados (elos “ovalizados”)

Causa Sobrecargas na transmissão.

Prevenção Substitua a corrente e elimine a causa da sobrecarga.

4. Pinos e/ou chapas laterais quebrados

Causa Sobrecarga extrema.

Prevenção Substitua a corrente (e a roda dentada se preciso); elimine a sobrecarga ou reprojete a transmissão com corrente de passo maior.

5. Rolos quebrados, fraturados ou deformados

Causa Velocidade muito alta; rodas dentadas muito pequenas; corrente subindo no dente.

Prevenção Substitua a corrente; reduza a velocidade; use rodas dentadas maiores ou passo menor; aumente a frequência de re-tensionamento.

6. Chapas de elos fraturadas (por fadiga)

Causa Carga acima da capacidade dinâmica da corrente; ou exposição a ambiente corrosivo.

Prevenção Substitua a corrente; reduza a carga dinâmica ou use passo maior; proteja de ambientes agressivos.

7. Pino com arranhões / raspado

Causa Lubrificação inadequada.

Prevenção Reduza a velocidade ou a carga; restabeleça a lubrificação apropriada; se preciso, use passo menor.

8. Elos ancorados (travados / duros)

Causa Material estranho ou terra nas uniões; desalinhamento; lubrificação inadequada; corrosão interna.

Prevenção Limpe e lubrifique; realinhe as rodas dentadas; em caso de corrosão, troque a corrente e elimine a causa.

9. Bordas amassadas nas chapas laterais

Causa A corrente atinge uma obstrução.

Prevenção Substitua a corrente e elimine a obstrução.

10. Contornos desgastados nas chapas dos elos

Causa A corrente raspa na proteção, na guia ou numa obstrução.

Prevenção Troque a corrente se perder mais de 5% da altura (H) por desgaste; tensione a corrente; elimine a interferência.

11. Peças ou chavetas em falta / quebradas

Causa Montagem incorreta das cupilhas; vibração; velocidade excessiva.

Prevenção Instale cupilhas novas conforme instrução do fabricante; reduza a vibração e use rodas dentadas maiores; reduza a velocidade.

Desgaste da roda dentada (sprocket): o dente “em gancho”

A roda dentada dura mais que a corrente, então quase ninguém desconfia dela — mas o dente em forma de gancho é o sinal clássico de fim de vida. Se os dentes estiverem com aspecto de gancho, curvados ou com a ponta afinada, a roda dentada deve ser substituída. Inspecione a roda dentada após 24 horas, 100 horas e 500 horas de operação e, depois, periodicamente.

Quatro sinais de desgaste da roda dentada (sprocket): dente quebrado, desgaste num lado do dente, desgaste assimétrico e desgaste na ponta do dente
Como identificar o desgaste da roda dentada: dente quebrado, desgaste num lado do dente, desgaste assimétrico e desgaste na ponta do dente (fonte: Guia de Manutenção Martin).
Dente quebrado no sprocket

Causa Ferro fundido frágil; carga de impacto; desalinhamento; dureza excessiva (acima de 40–50 HRC).

Prevenção Troque por rodas dentadas de aço Martin (disponíveis com dentes endurecidos); reduza o impacto ou aumente a transmissão; corrija o alinhamento.

Desgaste num lado do dente / no interior das placas

Causa Roda dentada desalinhada ou fora de paralelismo.

Prevenção Realinhe as rodas dentadas e os eixos.

Desgaste assimétrico no sprocket ou nos rolos

Causa Eixos não paralelos ou fora do mesmo plano; eixos amassados; rolamentos desgastados.

Prevenção Realinhe os eixos; verifique se estão empenados e troque rolamentos gastos.

Desgaste na ponta do dente do sprocket

Causa Alongamento excessivo da corrente — ela sobe e desgasta a ponta do dente.

Prevenção Substitua a corrente alongada; verifique o passo e o número de dentes.

Corrente pulando ou subindo na roda dentada

Quando a corrente “sobe” e pula sobre o dente, a transmissão está prestes a falhar. As causas mais comuns:

  • Tensão excessiva — verifique e ajuste o afundamento (2–4%).
  • Roda dentada e/ou corrente muito desgastadas — troque as duas.
  • Poucos dentes em contato — a roda dentada motriz pequena deve ter pelo menos 17 dentes; se faltar envolvimento, use tensionadores de corrente Martin ou reprojete a transmissão.
  • Material estranho acumulado no fundo do dente — proteja a transmissão ou use alívios de lodo (“mud reliefs”).
  • Corrente alongada ou sobrecarga — substitua a corrente e elimine a causa.

Como alinhar a roda dentada (sprocket)

O desgaste na superfície interna das chapas laterais da corrente e nos lados do dente é sinal de mau alinhamento. Para garantir o alinhamento correto:

  1. Confira se a roda dentada está perpendicular (90°) ao eixo.
  2. Verifique o paralelismo entre os eixos e se estão no mesmo plano.
  3. Use um relógio comparador (indicador) na face da roda dentada para medir o desvio.
  4. Alinhe os eixos com níveis, mantendo distâncias iguais entre os pontos de referência.
  5. Cheque se não há interferência de outras partes da máquina no percurso da corrente — se houver, corrija imediatamente.

Corrente fazendo barulho ou vibração excessiva

Ruído e vibração são avisos precoces. Antes de trocar peças, investigue: desalinhamento da roda dentada, proteção ou suportes frouxos, tensão excessiva, desgaste de corrente ou roda dentada, lubrificação inadequada, passo grande demais ou poucos dentes na roda dentada. Vibração forte pode indicar ainda rolos quebrados ou em falta — nesse caso, revise também os mancais/rolamentos de apoio.

Intervalos de inspeção da corrente

24h 24 horas 1ª inspeção da roda dentada 100h 100 horas Reinspeção do dente e da tensão 500h 500 horas Desgaste do dente (aspecto de gancho) 1000h 1000 horas Mede o alongamento (limite 3%)

Após a rodagem inicial, mantenha inspeções periódicas de lubrificação, tensão e alongamento.

5 boas práticas que evitam paradas

  1. Meça o alongamento a cada inspeção. Passou de 3%, troque a corrente — e cheque a roda dentada no mesmo serviço.
  2. Lubrifique pelo tipo certo (A, B ou C). Corrente seca alonga rápido, esquenta e trava. O óleo tem que chegar entre as chapas.
  3. Alinhe a roda dentada. Perpendicular ao eixo, eixos paralelos e no mesmo plano — a maior parte do desgaste lateral vem de desalinhamento.
  4. Respeite o número mínimo de dentes. Roda dentada motriz pequena com pelo menos 17 dentes; use tensionador quando faltar envolvimento.
  5. Troque corrente e roda dentada como conjunto. Peça velha destrói peça nova em poucas horas.

Por que resolver isso com a Mippei

A Mippei fornece correntes Tsubaki (corrente de rolos ASA/ANSI e DIN, simples, dupla e tripla) e rodas dentadas Martin (pinhões e coroas ASA, com bucha cônica QD e Taper Lock) — cada marca líder mundial na sua categoria. Além do produto certo, você tem atendimento técnico para dimensionar a transmissão, identificar o passo e o número de dentes e o compromisso de entender a aplicação antes de recomendar. Veja também o nosso guia de transmissão de potência e o Guia de Manutenção Martin completo.

Atendimento em Curitiba e em todo o Brasil

A Mippei tem base e estoque em Curitiba (PR) e atende com pronta-entrega o Sul do Brasil — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — além de despachar para todo o país. Não sabe o passo da sua corrente ou o número de dentes da roda dentada? Mande uma foto da peça ao lado de uma régua pelo WhatsApp (41) 99937-1387 que a equipe técnica identifica o modelo.

Precisa trocar a corrente ou a roda dentada?

Envie a medida (passo) ou uma foto do desgaste. Ajudamos a identificar a causa e a especificar o conjunto certo — para todo o Brasil.

Falar no WhatsApp
Enviar e-mail

Perguntas frequentes

Como sei se a corrente de transmissão está esticada?

Meça o alongamento: se passar de 3% do comprimento original, a corrente deve ser substituída. Na prática, uma corrente muito alongada não assenta mais no fundo do dente, começa a subir e a pular na roda dentada. Verifique também o afundamento (folga) no ramo frouxo — o ideal é 2% a 4% da distância entre centros.

De quanto em quanto tempo devo lubrificar a corrente?

Depende do tipo de lubrificação da transmissão (manual/gotas, banho de óleo ou fluxo por bomba) e da velocidade. O essencial é que a corrente nunca trabalhe seca: corrente sem óleo gera atrito interno, alonga rápido e trava. Inspecione a lubrificação nas rondas periódicas e reforce nas primeiras 1000 horas.

Qual óleo usar na corrente de transmissão?

Um óleo mineral limpo, de viscosidade adequada à temperatura e à velocidade — nunca graxa (não penetra entre pino e bucha) nem produtos improvisados como desengripante. O óleo precisa chegar entre as chapas laterais, onde ocorre o desgaste interno que estica a corrente.

Corrente pulando na roda dentada, o que fazer?

Verifique a tensão (afundamento 2–4%), o desgaste da corrente e da roda dentada, e o número de dentes em contato. A roda dentada motriz pequena deve ter pelo menos 17 dentes. Corrente alongada, roda dentada gasta ou tensão excessiva fazem a corrente subir e pular — normalmente é preciso trocar o conjunto.

Posso trocar só a corrente sem trocar a roda dentada?

Só se a roda dentada estiver em bom estado. Se os dentes estiverem com aspecto de gancho, curvados ou com a ponta desgastada, troque as duas: corrente nova em roda dentada gasta se estraga em poucas horas. Inspecione a roda dentada após 24, 100 e 500 horas.

Como alinhar a roda dentada?

Deixe a roda dentada perpendicular (90°) ao eixo, com os eixos paralelos e no mesmo plano. Use um relógio comparador na face da roda para medir o desvio e alinhe os eixos com níveis, mantendo distâncias iguais. Desgaste no interior das chapas laterais e nos lados do dente é o sinal clássico de mau alinhamento.

A Mippei atende fora de Curitiba?

Sim. Atendemos todo o Sul do Brasil (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) com pronta-entrega e despachamos correntes e rodas dentadas para todo o Brasil.

Leia também:
Correntes Tsubaki ·
Rodas dentadas Martin ·
Guia de Manutenção Martin ·
Guia de transmissão de potência ·
Engrenagem, polia e corrente em Curitiba

Sua corrente trabalha com madeira, cavaco ou celulose? Veja o guia de correntes para madeira, MDF, papel e celulose com a corrente certa para cada aplicação crítica.